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sexta-feira, 26 de maio de 2017

Grandes Discos Brasileiros | 'Nelson Cavaquinho' - Nelson Cavaquinho (1973)



Hoje iremos falar de Nelson Cavaquinho, um dos maiores sambistas brasileiros que tivemos. Tinha um talento formidável para tocar cavaquinho e sobretudo violão que rinha como destaque o seu jeito de tocar que era com dois dedos da mão direita. Nelson também era um grande compositor e poeta, deixando mais de 400 composições como legado. Sua vida na música começou bem cedo por causa do seu pai e anos depois conheceu o Morro da Mangueira quando passou a levar mais a sério o samba compondo para amigos. Foi gravar seu primeiro disco muito tempo depois.




Nelson Cavaquinho gravou apenas quatro discos na sua carreira, considerado muito pouco por conta de seu talento para compor, tocar e interpretar, mas as obras que deixou são consideradas grandes obras e um legado enorme do samba. Dentre os trabalhos iremos destacar Nelson Cavaquinho de 1973, sendo seu terceiro disco.


Nelson Cavaquinho e seu amigo Cartola

Seu disco de 1973 é considerado por sambistas e críticos musicais como seu melhor trabalho, pois está reunido suas melhores composições tanto em letra, poesia e melodia e a recepção do público foi a melhor possível.

Um dos grandes sucessos deste disco é "A Flor e o Espinho" que é considerada uma das 100 canções brasileiras mais importantes da nossa história. Essa canção foi escrita por Nelson e seu maior parceiro artístico Guilherme de Brito. A canção sintetiza o estilo poético/musical da dupla, marcado por um lirismo angustiado, pessimista, em que ressalta uma constante preocupação com a morte e as tragédias da vida.




Outra canção de grande destaque deste disco é "Juízo Final" que conheci na voz da cantora Clara Nunes. O bom desta canção é que ela ficou totalmente diferente com a voz e a interpretação de Nelson Cavaquinho, deixando com um tom mais angustiado por conta da letra que é uma poesia a parte.

A faixa "Folhas Secas" foi outra obra prima deste disco que foi composta por Nelson e seu parceiro Guilherme de Brito.A canção cita sua escola de samba, a Estação Primeira de Mangueira, escola que na qual Nelson se tornou símbolo.


Faixas


Faixa Título Compositor(es)



1 Juízo Final  Élcio Soares - Nelson Cavaquinho
2 Folhas Secas  Guilherme de Brito - Nelson Cavaquinho
3 Caminhando  Nourival Bahia - Nelson Cavaquinho
4 Minha Festa  Guilherme de Brito - Nelson Cavaquinho
5 Mulher Sem Alma  Guilherme de Brito - Nelson Cavaquinho
6 Vou Partir  Jair do Cavaquinho - Nelson Cavaquinho
7 Rei Vadio  Joaquim - Nelson Cavaquinho
8 Potpourri:

A Flor e o Espinho Alcides Caminha - Guilherme de Brito - Nelson Cavaquinho

Se Eu Sorrir  Guilherme de Brito - Nelson Cavaquinho

Quando Eu Me Chamar Saudade  Guilherme de Brito - Nelson Cavaquinho

Pranto de Poeta Guilherme de Brito - Nelson Cavaquinho
9 É Tão Triste Cair  Nelson Cavaquinho
10 Pode Sorrir  Guilherme de Brito - Nelson Cavaquinho
11 Rugas Garcêz - Ary Monteiro - Nelson Silva
12 O Bem e o Mal Guilherme de Brito - Nelson Cavaquinho
13 Visita Triste Anatalicio - Guilherme de Brito - Nelson Cavaquinho


Ouça o Disco



quinta-feira, 25 de maio de 2017

Grandes Discos Brasileiros | 'A Tábua de Esmeralda' - Jorge Ben (1974)


O próximo artista lembrado na série Grandes Discos Brasileiros é novamente Jorge Ben que já teve um de seus discos lembrados bem no início e pela sua sólida carreira muitos de seus trabalhos serão lembrados já que Jorge é considerado um dos cinco maiores artistas de todos os tempos por críticos e especialistas por sua capacidade de inventar e reinventar sua própria música que sempre foi o samba e o samba rock.



Hoje iremos falar de A Tábua de Esmeralda que foi lançado em 1974, sendo o décimo disco da carreira de Jorge Ben e sua carreira estava em alta e sempre esperava a cada ano um disco seu com a mesma técnica, beleza e de qualidade máxima, porém esse disco superou de estratosfericamente as expectativas, sendo considerado por muitas pessoas seu melhor trabalho por muitos motivos, mas por ter trazido no mercado fonográfico brasileiro uma nova musicalidade chamada de alquimia musical. Destaco nesse disco todas as composições melódicas que foram todas bem planejadas, produzidas e executadas de forma espetaculares. O sucesso crítico deste disco foi tão grande que ele se tornou um dos dez mais bem elogiados de todos os tempos, sendo por exemplo o sexto colocado na Revista Rolling Stone Brasil.


Jorge Ben em 1974

O grande desafio deste disco que Jorge Ben propôs era renovar e se reinventar já que apesar das boas críticas haviam pessoas que diziam que sua carreira estava se desgastando e logo ele manda seu recado de que renovou e repaginou-se na primeira faixa chamada "Os Alquimistas Estão Chegando Os Alquimistas" que tinha uma sonoridade leve, natural e que soava muito bem aos nossos ouvidos e na minha opinião é a melhor faixa deste disco, apesar de uma letra às vezes difícil de compreender tinha uma poesia sob ela.



A sonoridade do disco e sua qualidade segue muito bem logo na segunda faixa chamada "O Homem da Gravata Florida (A Gravata Florida de Paracelso)" que tem uma letra muito bem composta e uma ótima interpretação de Jorge.

Uma das minhas canções favoritas é "Zumbi" que é uma obra prima poética de Jorge que tem uma composição melódica muito bem produzida que vale a pena ouvir várias vezes por ser muito interessante como uma aula.

A faixa "Menina Mulher da Pele Preta" é uma das minhas favoritas deste disco. O interessante desta faixa é que ela começa com um mini diálogo e isso geralmente se encontrava em algumas canções de Jorge, mas logo se dá início de fato a canção que é de uma letra espetacular e uma sonoridade muito bem composta como se ouvíssemos um samba canção.

A faixa "Eu Vou Torcer" vem como um mantra, uma mensagem que Jorge transmite para seus ouvintes através de uma bela melodia e uma letra bem inspirada.


Faixas


Faixa Título Compositor(es)



1
Os Alquimistas Estão Chegando Os Alquimistas
Jorge Ben
2
O Homem da Gravata Florida (A Gravata Florida de Paracelso) 
Jorge Ben
3
Errare Humanum Est
Jorge Ben
4
Menina Mulher da Pele Preta
Jorge Ben
5
Eu Vou Torcer
Jorge Ben
6
Magnólia
Jorge Ben
7
Minha Teimosia, Uma Arma pra te Conquistar
Jorge Ben
8
Zumbi
Jorge Ben
9
Brother
Jorge Ben
10
O Namorado da Viúva
Jorge Ben
11
Hermes Trismegisto e sua Celeste Tábua de Esmeralda 
Fulcanelli / Jorge Ben
12
Cinco Minutos (5 minutos)
Jorge Ben


Ouça o Disco



terça-feira, 23 de maio de 2017

Grandes Discos Brasileiros | 'Os Mutantes' - Os Mutantes (1968)



Na publicação de hoje dos Grandes Discos Brasileiros vamos falar de um dos maiores grupos da história da nossa música brasileira e se não é o melhor. Sim Os Mutantes fizeram história e deixaram uma marca incomum no Rock nacional com sua músicas criativas utilizando de muitos apetrechos e instrumentos inusitados e por lançarem discos aclamados pela crítica e que sempre os colocam entre os melhores da história.




Vamos falar do seu álbum de estreia chamado Os Mutantes, lançado no ano de 1968, prestes a completar 50 anos e é lembrado até hoje por ser um trabalho muito diferente dos demais, tanto que o grupo se encaixou perfeitamente no movimento do Tropicalismo por conta do seu psicodelismo, canções experimentais e alternativas se utilizando de instrumentos inusitados, mas que anos depois foram inspirações para novas bandas.


Os Mutantes em 1968

Quem eram Os Mutantes nesse disco de estreia e o que eles tocavam?


Sérgio Dias - guitarra e voz
Era considerado na época um grande guitarrista por conta de seus riffs psicodélicos e por ter um talento surpreendente e saber se impor nas apresentações.

Arnaldo Baptista - baixo, teclado e voz
O talento de Arnaldo para tocar teclado, sobretudo piano sempre foi estratosférico, mas nesse disco ainda não víamos aqueles solos que marcariam sua carreira. Arnaldo era um dos principais compositores deste disco.

Rita Lee - voz, flauta doce, percussão
Era a integrante que dava uma suavidade ao grupo com sua voz e talento único de interpretação. Tinha como diferencial a capacidade de se reinventar, mesmo tão nova e gostava de improvisar instrumentos de percussão que ia desde prato ou apitos.




O álbum Os Mutantes foi considerado uma obra de vanguarda, graças à influência sofrida do Tropicalismo, que fez com que os Mutantes misturassem o rock psicodélico com elementos brasileiros, criando um tipo de música inédita no Brasil, que ainda sofria muita influência da fase mais pop dos Beatles, que recebia o nome de iê-iê-iê. O álbum recebeu várias críticas positivas ao redor do mundo. John Bush, do Allmusic, disse que "o álbum de estreia da banda Os Mutantes é de longe o melhor, uma viagem incrivelmente criativa que assimila pop orquestral, psicodelismo lunático, música concreta, encontro de sons ambientes; e isso é apenas a primeira música!" e conclui dizendo que o álbum é "Muito mais experimental do que qualquer um dos álbuns produzidos pela bandas da Grã-Bretanha ou América da era psicodélica".

(fonte Wikipédia)


O grande carro chefe deste disco se tratando das onze faixas foi "Panis et Circenses" que foi como um meteoro de talento. A canção foi composta por Gilberto Gil e Caetano Veloso em apenas quinze minutos. A letra é uma linda poesia e melhor ainda a composição melódica que foi utilizado vários recursos de percussão. Essa canção é uma das mais importantes não só do grupo e deste disco, mas como da história da nossa música. A letra tem uma forma de criticar aquelas pessoas que só enxergam através de seu umbigo e quanto mais chamamos a atenção cantando uma canção iluminada de sol ou soltando os tigres e os leões nos quintais ou matar um amor com um punhal luminoso às cinco horas na avenida central as pessoas não importam e estão na sala de jantar preocupadas em nascer ou morrer, ou seja, não levantam para fazer outra coisa.




Outra canção de grande sucesso deste disco foi "A Minha Menina" escrita por Jorge Ben Jor que também participou da canção tocando violão com bastante efeitos de eco. Uma curiosidade bacana dessa música é que a frase logo no começo "Agora tosse, todo mundo tossindo" é dita pelo próprio Jorge.

A canção "Baby", famosa na voz de Gal Costa esteve presente neste disco. A letra desta canção é aparentemente simples, sendo uma grande lista de necessidades que o jovem dos anos 60 precisava suprir para estar integrado. O arranjo da canção é estruturado de acordes simples maiores ao modo da música pop americana. Nesta canção, Sérgio Dias faz os arpejos de base na guitarra, papel costumeiramente dado ao violão de cordas de náilon nas composições brasileiras.

O disco é cercado de grandes composições melódicas e com letras totalmente bem planejadas pensando no Tropicalismo como vemos em "O Relógio" e "Le Premier Bonheur du Jour", mas vemos algumas experimentações que deram muito certo como em "Bat Macumba" que tinha tambores de candomblé.


Faixas


Faixa Título Compositor(es)



1
Panis et Circenses
Gilberto Gil e Caetano Veloso
2
A Minha Menina
Jorge Ben Jor
3
O Relógio
Arnaldo Baptista, Rita Lee, Sérgio Dias
4
Adeus Maria Fulô
Humberto Teixeira, Sivuca
5
Baby
Caetano Veloso
6
Senhor F
Arnaldo Baptista, Rita Lee, Sérgio Dias
7
Bat Macumba
Caetano Veloso, Gilberto Gil
8
Le Premier Bonheur du Jour
Frank Gérald, Jean Renard
9
Trem Fantasma
Arnaldo Baptista, Caetano Veloso, Rita Lee, Sérgio Dias
10
Tempo no Tempo (Once Was a Time I Thought)
John Phillips - Versão: Arnaldo Baptista, Rita Lee, Sérgio Dias
11
Ave Gengis Khan
Arnaldo Baptista, Rita Lee, Sérgio Dias



Ouça o Disco



segunda-feira, 22 de maio de 2017

Grandes Discos Brasileiros | 'Acústico MTV' - Titãs (1997)



Pela terceira vez aqui na série Grandes Discos Brasileiros vamos falar da banda Titãs, mas ora, porque? Eu ria falar novamente do grupo em um outro momento, mas por conta da comemoração de 20 anos da gravação do Acústico MTV que foi um divisor de águas para a banda e o canal MTV não poderia ficar em branco.



A banda Titãs foi uma das que mais marcaram os anos 80 e começou até bem a década de 90 com grandes discos, mas já percebia em Titanomaquia e logo depois no disco Domingo que as coisas estavam diferentes como vendas e número de hits que era aceitável, mas talvez novos trabalhos não seria um fenômeno de vendas como os grandes da década de 80.

Eis que a MTV tinha um projeto musical que convidava grandes bandas e artistas do Pop, MPB e Rock para gravar grandes sucessos em versões acústicas e os Titãs seria até então o sétimo artista a lançar um disco desta forma e até então o grande Acústico MTV era de Gilberto Gil na questão de produção e Legião Urbana na questão de vendas.


Bastidores do Acústico MTV dos Titãs

O Acústico MTV dos Titãs foi gravado em 6 e 7 de Março de 1997 no Teatro João Caetano e contou com os sete integrantes da banda naquela época, mas eles queriam algo muito maior com direito a uma produção e gravação caprichada com uma orquestra trazendo instrumentos como violino, cello, trompa, trombone, sax, harpa, flauta, clarinete e uma especialista em percussão. A banda trouxe convidados especiais como o ex Titãs Arnaldo Antunes, a cantora Marisa Monte, Rita Lee e Marina Lima, os cantores Fito Paes e Jimmy Cliff. Para finalizar as participações o grupo trouxe Liminha que além de produzir todo o disco, também participou tocando em todas as faixas.

O CD foi lançado junto com o VHS em maio de 1997 e se tornou um fenômeno de vendas e era possível escutar em várias casas e nas rádios algumas das faixas que foram um enorme sucesso. Foi o primeiro álbum da série Acústico MTV a ultrapassar a marca de um milhão de cópias, sendo então o segundo mais vendida da história e o álbum mais vendido da história da banda.


Imagem do Teatro João Caetano na gravação do Acústico MTV

No CD foram gravadas 22 faixas, sendo elas quatro canções inéditas, mas apenas "Os Cegos do Castelo" foi um mega hit que tocou nas rádios, porém as velhas canções conseguiram chegar a um patamar de sucesso enorme como se fossem inéditas, mas isso é em fato de todas as canções ganharem uma repaginação e um grande exemplo foi a canção "Flores" que teve a participação de Marisa Monte. Outras velhas canções que tocaram nas rádios foram "Marvin", mas sem tanto sucesso, mas tocava como flashback assim como "Go Back" e "Televisão".

O grande sucesso deste álbum foi a canção "Pra Dizer Adeus" que para muitos era uma canção inédita, mas aí que nos enganamos, pois esta canção fez parte do segundo disco da banda em 1983, mas não foi single e quando foi repaginada para o Acústico MTV foi aclamada pela crítica e pelo público que ligava nas rádios e pediam esta canção que tocava muito, inclusive em emissoras especializadas em sertanejo e pagode.

O último single lançado pela banda deste álbum foi "Nem Cinco Minutos Guardados" que era uma faixa inédita, mas pela exaustão de tantos sucessos e da banda tocar em vários programas de TV a canção não chegou a fazer um grande sucesso, porém a banda não chegou a parar por muito tempo após a turnê deste disco e logo lançou o próximo.


Faixas

Faixa Título


1
Comida
2
Go Back 
3
Pra Dizer Adeus
4
Família
5
Os Cegos Do Castelo
6
O Pulso
7
Marvin
8
Nem 5 Minutos Guardados
9
Flores
10
Palavras
11
Hereditário
12
A Melhor Forma
13
Cabeça Dinossauro
14
32 Dentes
15
Bichos Escrotos (Vinheta)
16
Não Vou Lutar
17
Homem Primata (Vinheta)
18
Homem Primata
19
Polícia (Vinheta)
20
Querem Meu Sangue
21
Diversão
22
Televisão 



Ouça o Disco



Letícia Spiller é capa da Revista Boa Forma de Maio



A atriz Letícia Spiller de 43 anos é capa da Revista Boa Forma da edição do mês de Maio. Nesta edição ela é entrevistada e fala como mantém seu corpo e também das saudades dos tempos de quando era mais jovem.


Nessa fase, você faz tudo com pressa, pela metade. Quando é muito mais inteligente e sensato agir com calma e paciência





sexta-feira, 19 de maio de 2017

Grandes Discos Brasileiros | 'Lóki?' - Arnaldo Baptista (1974)



Para quem conhece BEM a nossa música brasileira sabe que um dos maiores grupos de todos os tempos foi Os Mutantes que além de ter Rita Lee e Sérgio Dias tinham a companhia de Arnaldo Baptista que sempre foi um artista de personalidade única, sempre inteligente e um músico espetacular, sabendo compor e tocar alguns instrumentos como piano e violão. Iremos falar dos Mutantes em breve, mas vamos destacar apenas o Arnaldo.




Arnaldo Baptista gravou alguns discos solo, mas o que mais destacou toda sua carreira é o intitulado Lóki?, lançado em 1974. Pra confessar eu fui ouvir esse disco pela primeira vez há pouco tempo atrás e isso foi possível graças a internet e a uma curiosidade que tinha por sempre saber que Arnaldo é uma pessoa diferente de outros músicos, e claro o resultado deste disco ficou bom, mas para outros ficou perfeito, sendo inclusive um dos maiores da nossa música.

O que mais chama a minha atenção nesse disco é o piano em praticamente todas as faixas por conta da sua presença forte e explícita em algumas das canções, deixando o disco como uma aula de piano e quem é o professor é o próprio Arnaldo Baptista que além de piano toca órgão, clavinet, sintetizador e violão de 12 cordas.

Outro detalhe que chama atenção é a capa do disco que tem um estilo trash e divide opiniões por ser criativa ou por ser de mal gosto.


Arnaldo Baptista em 1974

Segundo fontes de internet Lóki? foi gravado graças a uma revolta e até crises nervosas sofridas pelo próprio Arnaldo Baptista. O álbum expressa sua angústia perante a sociedade, unida à análise de sufocantes aspectos da humanidade: solidão, drogas, sexo e até óvnis.

O disco traz 10 faixas e todas elas com composições inspiradas por melancolias, decepções e arrependimento. Entre as faixas destaco a que abre que se chama "Será que Eu Vou Virar Bolor?" que já tem uma melancolia, mas tem uma melodia perfeita com introduções de piano sensacionais, assim como na faixa "Uma Pessoa Só" que uma belíssima composição melódica.




Uma canção bem elogiada é "Cê Tá Pensando que Eu Sou Lóki?" que tem uma letra bem composta e uma mistura de jazz com samba com rock, mostrando uma capacidade técnica e estratosférica de Arnaldo.

Outra faixa de grande conceito é "Honky Tonky" que é em sua totalidade um jazz e seria mais uma daquelas aulas de piano que ouvimos no disco. Na faixa "Desculpe" ouço outra forma magnífica e uma aula de como compor uma melodia que ficou muito bem feita.


Faixas

Faixa Título Compositor(es)



1
Será que Eu Vou Virar Bolor?
Arnaldo Baptista
2
Uma Pessoa Só
Arnaldo Baptista / Dinho Leme / Liminha / Sérgio Dias
3
Não Estou nem Aí
Arnaldo Baptista
4
Vou Me Afundar na Lingerie
Arnaldo Baptista
5
Honky Tonky
Arnaldo Baptista
6
Cê Tá Pensando que Eu Sou Lóki?
Arnaldo Baptista
7
Desculpe
Arnaldo Baptista
8
Navegar de Novo
Arnaldo Baptista
9
Te Amo Podes Crer
Arnaldo Baptista
10
É Fácil
Arnaldo Baptista


Ouça o Disco



Anitta é capa da Revista Trip do mês de Maio



A cantora Anitta é capa da Revista Trip deste mês de maio. A revista logo destaca ela na capa e no site como um dos grandes nomes da música e o maior do Pop atualmente.

"Os números confirmam: ela é hoje das maiores artistas pop, senão a maior, do país. Mas o que passa pela cabeça dessa carioca? Leia trecho das Páginas Negras. A entrevista completa está nas bancas!"


terça-feira, 16 de maio de 2017

Grandes Discos Brasileiros | 'Realce' - Gilberto Gil (1979)



Um artista que não pode ficar de fora da série Grandes Discos Brasileiros é Gilberto Gil  que já teve um álbum em destaque aqui e já tinha avisado que teriam muito mais, pois na minha opinião Gilberto é o artista brasileiro mais completo que já vi na história da nossa música por ser um compositor sempre inspirado, tocar instrumentos, interpretar canções de uma maneira diferenciada e criativa e a capacidade de se reinventar em anos de carreira.




O disco que será destacado é Realce, lançado no ano de 1979 e pelo que já vimos até pela capa o cantor Gilberto Gil vivia, experimentava e respirava novos ares musicais e mostrava que sua capacidade artística de reinvenção era enorme.

Nesse disco vemos uma mistura de estilos musicais como a nossa MPB junto ao R&B, Reggae, Soul e até mesmo a Disco Music que era um estilo que dominava nessa década. A gravação de Realce foi realizada em Los Angeles e Gilberto Gil contou com uma grande produção de Marco Mazzola e participações especiais de Steve Lukather nas guitarras e os teclados de Jerry Hey.


Gilberto Gil em 1979

A primeira faixa é uma das minhas favoritas, sendo justamente a faixa "Realce" que dá nome ao disco que vem num clima bem alto astral, festiva e alegre. Isso vemos na letra com palavras positivas, motivacionais e que dependendo de como estiver a vida podemos realçar com mais purpurina. A parte melódica da música é uma das minhas favoritas em toda sua carreira.

O disco tem outras faixas com canções com um astral que vale a pena ouvir como por exemplo "Sarará Miolo" que tem uma letra muito bem composta, assim como a canção "Toda Menina Baiana" que é uma das minhas favoritas deste disco e vale muito a pena reparar nos instrumentos de percussão utilizados, inclusive podemos ouvir palmas da mão como instrumento e um belo time de backing vocals.


Gilberto Gil no especial da TV Cultura em 1979

Destaco também canções que vinham num outro ritmo e de sucesso como "Superhomem - A Canção" que tem uma letra inspirada em Caetano Veloso diante de um relato sobre um filme que o mesmo participou. A canção "Marina" mistura bem o Disco com Pop e R&B, lembrando até a forma como Michael Jackson fez em Off The Wall. A letra desta canção eu gosto e fala de um lamento de Gil com a pessoa que dá o nome a faixa.

Acredito que a faixa de maior sucesso deste disco e é uma das minhas favoritas em toda carreira de Gilberto Gil é "Não Chore Mais" que é a versão da canção "No Woman, No Cry" que é considerada a melhor ou uma das três maiores canções de Reggae da história, tendo diversas regravações e com Gil fez um sucesso que é até hoje eterno.


Faixas

Faixa Título Compositor(es)



1
Realce
Gilberto Gil
2
Sarará Miolo
Gilberto Gil
3
Superhomem - A Canção
Gilberto Gil
4
Tradição
Gilberto Gil
5
Marina
Dorival Caymmi
6
Rebento
Gilberto Gil
7
Toda Menina Baiana
Gilberto Gil
8
Logunedé
Gilberto Gil
9
Não Chore Mais
Vincent Ford, versão Gilberto Gil


Ouça o Disco




segunda-feira, 15 de maio de 2017

Camila Queiroz é capa da revista Joyce Pascowitch do mês de maio



Uma das atrizes com maior ascensão da televisão brasileira é a jovem Camila Queiroz que é capa da revista Joyce Pascowitch do mês de maio que já destaca o sucesso e o bom trabalho que vem fazendo.




sábado, 13 de maio de 2017

Grandes Discos Brasileiros | 'Construção' - Chico Buarque (1971)



O Brasil nos tempos da Ditadura Militar foi motivo e inspiração de grandes canções tendo composições cercadas de diretas ou indiretas protestando os líderes daquela época e muito destes artistas eram a voz daqueles que não podiam falar, pois estavam amordaçados ou não havia a coragem necessária de se expor, mas se viram refletido no músico Chico Buarque que foi um dos mais corajosos e altaneiros contra esse governo. Diante disso Chico acabou sendo exilado do Brasil, mas mesmo tão distante conseguiu realizar ótimos trabalhos e com as canções de protesto.



Um disco de muita expressão contra a Ditadura Militar e que foi um grande sucesso de público e crítica foi Construção, de 1971. A história deste disco começou no exterior, quando Chico Buarque começou a compor na Itália e terminou de escrever aqui no Brasil e logo realizou o procedimento de gravação das dez faixas. O disco é carregado de críticas ao regime militar vigente, principalmente no que concerne à censura imposta pelo governo.


Chico Buarque em 1971

Para falar deste disco temos que falar primeiramente e fazer até um especial para a canção "Construção" que é considerada por críticos a melhor canção brasileira de todos os tempos.

A letra de "Construção" foi composta em versos dodecassílabos, que sempre terminam numa palavra proparoxítona. Os 17 versos da primeira parte (quatro quartetos, acrescidos de um verso-desfecho) são praticamente os mesmos dezessete que compõem a segunda parte, mudando apenas a última palavra. Os arranjos são do maestro Rogério Duprat, em uma melodia repetitiva, desenvolvida inicialmente sobre dois acordes. A música, entretanto, tem harmonia bem mais complexa.


Uma página de revista destacando o sucesso da canção "Construção"
 
Em um formato tipicamente épico, "Construção" narra a história de um trabalhador da construção civil morto no exercício de sua profissão, em seu último dia de vida, desde a saída de casa para o trabalho ("Beijou sua mulher como se fosse a última") até o momento da queda mortal ("E se acabou no chão feito um pacote flácido"). O narrador observa, organiza e comunica os acontecimentos, ocorridos numa história circular, cantada em melodia reiterativa e que modifica o ângulo de observação a cada repetição da letra com a troca de comparações ("Ergueu no patamar quatro paredes sólidas/mágicas/flácidas"), mas que no final encaminha para o mesmo fim, uma morte.

A letra contém uma forte crítica à alienação do trabalhador na sociedade capitalista moderna e urbana, reduzido a condição mecânica - intensificado especialmente por seus atos no terceiro bloco da canção ("máquina", "lógico"). Quando esse trabalhador ("um pacote flácido/tímido/bêbado") morre, a constatação é de que sua morte apenas atrapalha o "tráfego", o "público" ou o "sábado".

Em 2001, o jornal Folha de S.Paulo, em uma enquete realizada com 214 votantes (entre jornalistas, músicos e artistas do Brasil), elegeu "Construção" como a segunda melhor canção brasileira de todos os tempos - atrás de Águas de Março, de Tom Jobim. Já em uma eleição, em 2009, promovida pela versão brasileira da revista Rolling Stone, "Construção" foi eleita a melhor canção brasileira de todos os tempos.



Enfim, voltando a falar do disco há outras canções que podemos destacar como "Cotidiano" que tem uma linha pensamento e filosofia bem parecido com a faixa título, mas este fala de uma mulher que tem uma rotina que é mesma coisa todos os dias. Vale a pena ler esta letra e acompanhar a interpretação de Chico que está espetacular.

A canção "Valsinha" é um clássico das canções mais lentas de Chico e traz consigo uma letra poeticamente linda, rica e bem inspirada e muito bem interpretada sob uma linda melodia.

Outra canção muito querida dos fãs e críticos de Chico Buarque é "Desalento" que tem uma melodia bem samba canção bem fina e sob ela uma interpretação bem técnica como sempre soube fazer e a letra é outra poesia escrita por Chico.


Faixas

Faixa Título Compositor(es)



1
Deus Lhe Pague
Chico Buarque
2
Cotidiano
Chico Buarque
3
Desalento
C. Buarque, Vinicius de Moraes
4
Construção
Chico Buarque
5
Cordão
Chico Buarque
6
Olha Maria (Amparo)
C. Buarque, V. de Moraes, Tom Jobim
7
Samba de Orly
C. Buarque, Toquinho, V. de Moraes
8
Valsinha
C. Buarque, V. de Moraes
9
Minha História
Lucio Dalla, Paola Pallotino; versão de C. Buarque
10
Acalanto
Chico Buarque


Ouça o Disco



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